Pular para o conteúdo principal

Como as Democracias Morrem de Steven Levitsky

Eu acabei de ler o livro "Como as Democracias Morrem" de Steven Levitsky

Em resumo, não é um livro que fala sobre democracia, mas sim da democracia estadunidense
Para começar, vale dizer que é um livro bom caso você queira entender como funcionam algumas dinâmicas da política estadunidense, inclusive históricas. Po´rem, a parte boa do livro para por aqui
O primeiro grande problema do livro é que ele segue uma visão bem abstrata do que é autoritarismo e se abstém de definir que, pelo menos em parte, Estados Unidos foi e continua sendo um governo autoritário ao que se refere a minorias sociais
O exemplo mais evidente disso é em relação a política estadunidense de democratas e republicanos voltada a segregação racial, bem como o direito ao voto. Steven ignora que essa política, no qual resultou em um prolongamento para evitar embate, já não classifica como democrático
O segundo grande problema desse livro é colocar Trump como uma exceção na política nacional. Por mais que se explique que haviam outros governantes que usaram de seu poder executivo para normalizar um abuso institucional, há uma conveniente explicação para justificar isso
Se diz que governantes estadunidenses com pegada autoritária foram podados pelo senado, mesmo que Steven mesmo, ao final do livro, se contradiz dizendo que Trump mais fala do que faz
Além do fato de que muitos das "medidas autoritárias" citadas feitas pelos presidentes estadunidenses tenham sido até benéficas, devido ao entrave feito pelo legislativo, como no caso de Obama
O terceiro grande problema é o mais grave do livro, ele define como governo democrático a partir de seu próprio país, e trata governos da américa latina e leste europeu como "não democráticos", citando as ditaduras que ocorreram no século XX
Há inclusive uma tabela, já no final do livro, que cataloga 10 países, os analisando e classificando como democrático ou autoritário
A definição do que é democrático ou autoritário é abstrato ao ponto de Itália de Berlusconi e Peru de Fujimori, mesmo havendo as mesmas características, serem classificadas como democrática e autoritária, respectivamente
A grande questão, o que deixa tudo com um ar extremamente hipócrita, pois não é falado em qualquer momento sobre a intervenção estadunidense, inclusive financeira, para essas ditaduras se ascenderem, ou mesmo as mantendo
A única menção ao financiamento estadunidense em outros governos no livro inteiro é ao falar de Allende, quando o mesmo foi impedido de assumir a presidência por causa do Partido Nacional, onde o livro menciona ser um partido financiado pela CIA
No final, não é a toa que o livro é best seller do New York Times. Além dos problemas gigantescos que abordei, ainda tem uma visão de que "polarização é ruim", "política é negociar com adversário" e "o governo autoritário é o outro"

---


Fonte
https://www.facebook.com/ricardoFF3D/posts/pfbid0brzNCGheCoqSWEtRt6hXMxybrSWqCEbsksTWngtorfbphZxnAwpkfpXpkZqgh1EKl

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Os supremacistas aspies

Os supremacistas aspies se afetam porque vai ter que seguir o DSM-V e agora vão ser chamados de autista ao invés de asperger Por isso que falo, esse pessoal vai bater o pé até o último segundo para falar que é asperger A real é que eles não querem ser chamados de autista, deve ser humilhante para eles serem colocados na mesma "categoria" que os grau 2 e 3 Eu tinha uma visão capacitista em relação de eu ser pessoa com deficiência, comecei a mudar ao participar mais ativamente da comunidade autista e, principalmente, depois de conhecer ativistas do movimento No fundo, supremacista aspie se odeia e não quer ser chamado de autista porque, na mente dessa galera, tem uma carga negativa de significado pela incapacidade do corpo (modelo biomédico), já o asperger tem embutido uma conotação funcional É ao mesmo tempo triste e revoltante --- Fontes 12:28 AM · 15 de out de 2021 https://x.com/AutismoPensante/status/1448853206147141632

Eu fui diagnosticado na infância por uma psicóloga, mas só consegui laudo de psiquiatra com 27 anos

Eu fui diagnosticado na infância por uma psicóloga, mas só consegui laudo de psiquiatra com 27 anos, e mesmo assim com minha mãe junto e mostrando uma gravação não autorizada minha fazendo ecolalia e stims E sim, passei por muito psiquiatra que negou laudo pelos motivos mais imbecis, desde que "eu trabalho", "sou formado em Comunicação Social", ou até porque "eu não precisava de laudo" ou "não quero colocar em caixinhas" (entrei na minha atual especialização por vaga de cotas) De todas as áreas que atendem autistas e neurodivergentes, a psiquiatria é especialmente a menos capacitada, pois se misturam o desconhecimento, elitismo, corporativismo e capacitismo, o que na prática faz muitas pessoas ficarem anos ou décadas buscando um pedaço de papel - -- Publicação baseada em seu Ariana Carnielli (@AriCarnielli): Vou contar o absurdo que aconteceu comigo faz 2 semanas, lembrando que eu JÁ TENHO o diagnóstico e laudo, feito por um psiquiatra francês ...